Um tema recorrente na mídia tem sido o uso de sacolas plásticas no cotidiano. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, há cerca de vinte projetos de lei tramitando ou apensados. Alguns com propostas sensatas, outros nem tanto.
A preocupação maior diz respeito ao aumento do consumo das sacolas, mas, com a população aumentando exponencialmente, como diminuir o uso desse item essencial? Outra questão levantada é o descarte inadequado das sacolas, essa sim, muito pertinente. Sacola não é para ser jogada em qualquer lugar, mas é um utilitário que serve para levar objetos de um lugar para o outro ou para descartar lixo de forma higiênica.
Uma solução para o assunto certamente seria a substituição das sacolas plásticas convencionais por sacolas oxibiodegradáveis. Esta nova tecnologia produz plástico que se degrada através de um processo de oxidegradação. A tecnologia se baseia na introdução de uma quantidade muito pequena de aditivo pró-degradante durante o processo de fabricação convencional, resultando em uma mudança de comportamento do plástico. A degradação começa quando o produto não está mais em uso, sendo consumido por bactérias e fungos.
Entretanto, o custo mais elevado na produção desse tipo de sacola faz com que o empresariado simplesmente ignore essa possibilidade, em prol do lucro sempre crescente. Além disso, existe o lobby da indústria plástica, que não tem nenhum interesse no ecologicamente correto.
Se propõe ainda a proibição do comércio de sacolas plásticas. Mas ninguém me diz onde vou colocar meu lixo. Ou será que utilizar caixas de papelão será a melhor solução? E, na substituição das sacolas plásticas por caixas de papelão, haverá desse material suficiente para todas as pessoas que utilizam das sacolas diariamente? E como acomodar esse material em casa com toda sua facilidade de degradação? Afinal, é preciso pensar que papelão em casa também atrai pragas urbanas como baratas, formigas, besouros, entre outros, mal que as sacolas plásticas não traz.
Multar quem utiliza sacola plástica também pode não ser a melhor solução, pois esse é um item necessário ao dia-a-dia. Talvez incentivar o consumidor a utilizar meios alternativos seja uma solução interessante também, como ecobags ou carrinhos de feira. Mas isso só irá diminuir o consumo das sacolas plásticas. Não erradicar.
E, para quem defende o fim da utilização da sacola plástica alegando poluição, saiba que a sacola é atóxica, pois o plástico da qual é feito não contamina o meio ambiente nem é contaminado por ele. Correto é alegar o possível entupimento de bueiros, possibilitando enchentes, e o acúmulo nos rios e mares, prejudicando a vida na água doce e salgada.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), o Brasil produziu 13,9 bilhões de sacolas plásticas em 2010. No mundo, estima-se que sejam produzidas por ano entre 500 bilhões e 1 trilhão de unidades.
