Elara Leite*
Desculpe, mas acho que a minha escola de jornalismo foi diferente. Agora, o fazer jornalístico tem servido, mais do que nunca, para autopromoção de alguns, que obtem respaldo social junto à sua audiência. Na manhã desta terça-feira (24), ouvia rádio quando, passando por uma das estações, o locutor apresentava seu bem-humorado forró, uma paródia de música conhecida do compositor Pinto do Acordeon.
A música ganhou clipe com animação e eu fico me perguntando se locutores, apresentadores e outras figuras ligadas à comunicação agora são produtos dos seus respectivos ambientes de trabalho, à venda nas prateleiras do grande supermercado da comunicação. Eis um fenômeno da briga por audiência: a coisificação jornalística.
O leitor/ouvinte/telespectador desavisado, se serve dessa profusão de celebridades comunicacionais, que ganham o crédito pessoal. Mas onde fica a ética do jornalismo, quando questionada a produção de conteúdo?
É preciso ter uma leitura crítica sobre a mídia. Sempre. O cidadão tem ganhado o poder de um formador de opinião, o que é bastante positivo. Entretanto, é preciso uma análise do limite entre jornalismo e produto à venda.
*Radialista, Jornalista, pré-concluinte de Relações Públicas, especialista em Assessoria de Comunicação
